
Maciel Melo completa 25 anos de carreira com mais um disco, Sem ouro e sem mágoa. Um álbum de encarte luxuoso que o diferencia o CD da grande maioria dos lançamentos congêneres: “O forró ainda sofre preconceito, por ser a música feita pelo povo. É mais ou menos como o brega. Se José Augusto grava é brega, mas se Caetano Veloso grava vira MPB. Então a gente tem que parar com este negócio de produto barato. Neste disco tentei o melhor que pude, e nem fui procurar lei de incentivo, essas coisas. Banquei do meu bolso, e depois saí em busca de apoio, mas já com um produto de qualidade na mão”, conta Maciel Melo.
O CD contém parte do disco acústico, de cantoria. Aqui, o forró se presta à dança, mas também é música que pode ser apresentada em um teatro, com a platéia apreciando da poltrona. É assim que acontece com Pelos cantos da casa (dele e Xico Bizerra), que abre o repertório do álbum.
A sanfona de Genaro está marcante no album. Ele é um sanfoneiro que extrai timbres do instrumento como só os grandes músicos conseguem, o que acontece no xote É só triscar que sai faísca. Este é um dos poucos discos no qual o termo forró é bem aplicado, já que os forrozeiros atuais, com honrosas exceções, insistem em compor e cantar só xotes (com letras de um romantismo repetitivo).
Desafio das léguas foi o marco inicial da carreira do pernambucano, um LP feito na raça. Primeiro foi prensado o disco, depois ele peregrinou para conseguir a capa. Sua estréia contou com participações de Dominguinhos, Décio Marques e Vital Farias. Ele poderia ter composto por encomenda para as bandas que teimam em dizer que fazem forró, mas foi consagrado por dois sucessos tocados de Norte a Sul: Caboclo sonhador e Que nem vem-vem (gravadas por vários artistas, entre estes Fagner e Elba Ramalho).
Como quase todo músico nordestino, Maciel Melo já tentou a sorte no Sudeste. Morou algum tempo em São Paulo (onde compos sua música mais conhecida, a citada Caboclo sonhador). “Antigamente, para acontecer, precisava ir lá, isto não é mais necessário. Hoje sou conhecido no Brasil inteiro, sem aparecer no Faustão. Também não tenho interesse em ir para a Europa nos meses em que mais acontecem festivais por lá, em junho e julho que, para nós, é o período em que a gente mais fatura”.
Embora seja membro da Sociedade dos Forrozeiros Pé-de-Serra e Ai e tenha bom relacionamento com os que querem o forró acompanhado pelo tradicional tripé, sanfona, triângulo e zabumba, Maciel Melo não dispensa instrumentos elétricos (o que Luiz Gonzaga fazia no início dos anos 70), e tem a internet como aliada mais forte para divulgar seu trabalho: “De uns dois anos para cá tenho usado muito internet, tem várias comunidades de admiradores meus. Então vou ao orkut e digo que estou com uma música nova, a notícia circula rapidinho. Tem um amigo meu, em Pesqueira, Jajá, para quem eu mando a música e ele divulga para 150 emissoras AM. As FM não me interessam porque não tocam sem jabá. Fiz um show em Teresina, nunca tinha ido lá, estava até temeroso. Bombou, vendi todos os CDs e DVD que levei. O pessoal conhecia o meu trabalho pela internet”.


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